terça-feira, 18 de outubro de 2016

Gatos



O Gato
       Vem cá, meu gato, aqui no meu regaço; 
       Guarda essas garras devagar, 
       E nos teus belos olhos de ágata e aço 
       Deixa-me aos poucos mergulhar.

       Quando meus dedos cobrem de carícias 
       Tua cabeça e o dócil torso, 
       E minha mão se embriaga nas delícias 
       De afagar-te o elétrico dorso,


       Em sonho a vejo. Seu olhar, profundo 
       Como o teu, amável felino, 
       Qual dardo dilacera e fere fundo,


       E, dos pés a cabeca, um fino 
       Ar sutil, um perfume que envenena 
       Envolvem-lhe a carne morena. 
      

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